É celebrado nesta quinta-feira (12/03), o Dia Mundial do Glaucoma, data dedicada à conscientização sobre essa doença crônica e irreversível que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a segunda maior causa de cegueira no mundo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), a doença pode atingir até 2,5 milhões de brasileiros com mais de 40 anos. O glaucoma é uma neuropatia óptica, doença que afeta o nervo óptico, responsável pela transmissão dos impulsos elétricos gerados pela retina até o córtex visual, e tem como um dos principais fatores de risco o aumento da pressão intraocular.
No Brasil, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Minas Gerais, a população conta com a assistência do Instituto de Olhos Ciências Médicas (IOCM), localizado no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Referência 100% SUS, o instituto oferece atendimento integral aos pacientes com glaucoma, desde consultas de rotina para avaliação da saúde ocular até cirurgias de maior complexidade. Atualmente, a unidade está tratando 12.414 pacientes com essa enfermidade.
Prevenção e sintomas
Por se tratar de uma doença com diferentes tipos e formas de apresentação, o acompanhamento regular com um oftalmologista é fundamental para o diagnóstico precoce, aumentando as chances de preservação da visão e a manutenção da qualidade de vida.

O chefe do Departamento de Glaucoma do Instituto de Olhos Ciências Médicas, Dr. Daniel Fulgêncio, alerta que, embora existam sintomas em casos agudos, a forma mais comum da doença é silenciosa. “Pode haver perda súbita da visão, dor intensa e olho vermelho. Em crianças, pode ocorrer buftalmia (olhos aumentados), córnea opaca e lacrimejamento. No entanto, as formas mais comuns são assintomáticas. A baixa de visão costuma surgir quando o nervo óptico já está bastante comprometido”, explica o especialista.
A consulta regular ao oftalmologista é ainda mais importante para pessoas com fatores de risco, como pressão ocular elevada, histórico familiar de glaucoma, idade avançada, graus elevados de miopia ou hipermetropia, uso prolongado de corticoides e histórico de trauma ocular.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do glaucoma exige avaliação especializada e acompanhamento contínuo. Entre os principais exames utilizados estão o campo visual, a tomografia de coerência óptica (OCT), a paquimetria (que mede a espessura da córnea), a gonioscopia (que avalia o ângulo de drenagem do humor aquoso), a retinografia (fotografia do fundo do olho) e a medição da pressão intraocular por meio do tonômetro.
O tratamento pode incluir o uso de colírios — suficientes na maioria dos casos —, aplicação de laser ou cirurgia, indicada especialmente em quadros mais graves ou de difícil controle. Com o avanço das cirurgias minimamente invasivas, conhecidas como MIGS, os procedimentos podem ser realizados de forma mais precoce em situações selecionadas.
A interrupção do tratamento pode levar à progressão da doença, com perda gradual da visão até a cegueira, que é irreversível. Por isso, mesmo sem cura, o acompanhamento deve ser contínuo ao longo da vida. “O glaucoma pode cegar, mas a cegueira é prevenível. Não deixe de consultar um oftalmologista. O diagnóstico precoce faz toda a diferença”, reforça Dr. Daniel Fulgêncio.
