Estima-se que 20 milhões de brasileiros sejam afetados pela Síndrome do Olho Seco, segundo a Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS). O mês de julho é dedicado à conscientização da população mundial sobre essa doença multifatorial da superfície ocular, por meio da campanha Julho Turquesa.
A Síndrome do Olho Seco ocorre em decorrência do desequilíbrio na produção ou na qualidade das camadas que compõem a lágrima, formada por água, sais minerais, proteínas e gorduras. Embora a doença atinja principalmente mulheres na pós-menopausa, ela também pode acometer pessoas com doenças autoimunes e a população em geral.
“As pessoas com maior chance de desenvolver a Síndrome do Olho Seco são as mulheres na pós-menopausa. Além delas, doenças autoimunes, o uso de alguns medicamentos, tanto orais quanto oculares, e cirurgias oftalmológicas também podem induzir ou agravar um quadro de olho seco preexistente”, explica o preceptor do Departamento de Córnea do Instituto de Olhos Ciências Médicas de Minas Gerais (IOCM-MG), Dr. Leonardo Coelho Gontijo.
Sinais que merecem atenção
A Síndrome do Olho Seco pode provocar sintomas variados, como sensação de areia nos olhos, ardor, queimação, vermelhidão, lacrimejamento excessivo, fotofobia (sensibilidade à luz) e flutuação visual (visão embaçada).
“O lacrimejamento excessivo pode ser um sinal de olho seco. Quando uma das três camadas da lágrima está comprometida, o olho tenta compensar produzindo apenas a camada aquosa. Por isso, o excesso de lágrimas também pode indicar a doença”, alerta o especialista.
Hábitos diários que ajudam na prevenção
A adoção de hábitos saudáveis pode contribuir para reduzir os sintomas da Síndrome do Olho Seco. Entre as principais recomendações estão:
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evitar o uso contínuo de telas ou fazer pausas durante a utilização;
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não permanecer exposto diretamente ao fluxo de ar-condicionado ou ventilador;
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manter uma alimentação saudável, rica em ômega 3 de origem animal, como peixes;
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ter boas noites de sono.
Como o uso excessivo de telas pode causar a Síndrome do Olho Seco
A exposição prolongada à luz emitida por monitores de computadores, tablets, celulares e televisores pode contribuir para o agravamento da doença. Segundo o Dr. Leonardo Gontijo, diante de dispositivos com brilho próprio, a frequência do piscar diminui, comprometendo a produção e a qualidade da lágrima.
“Quando usamos telas, piscamos aproximadamente 50% menos do que o normal. Com isso, as glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima, reduzem sua secreção, comprometendo a estabilidade do filme lacrimal.”
Colírios lubrificantes ajudam?
Além dos hábitos citados, os colírios lubrificantes também podem ser aliados no combate ao ressecamento ocular. Quando utilizados de forma consciente, cerca de três vezes ao dia, eles ajudam a aliviar os sintomas e a manter a superfície ocular hidratada.
“Os colírios lubrificantes não devem ser utilizados de forma excessiva. Em geral, o uso em torno de três vezes ao dia costuma ser suficiente, sempre com preferência para formulações sem conservantes”, orienta o preceptor do Departamento de Córnea do IOCM-MG, Dr. Leonardo Gontijo.
